É devagar…

 

A velha sabedoria popular já dizia que a diferença entre o remédio e o veneno é a dosagem. Isso se aplica hoje numa reflexão rápida sobre a avassaladora onda tecnológica que, de certa forma, deixa as pessoas conectadas quase 24 horas do dia. 

Essa corrida desenfreada para fuçar o insta de fulano, o último bafo do face, o vídeo zélezim no zap ou as muitas indiretas no twitter gera uma das principais patologias comportamentais dos tempos modernos: o vício em conexões digitais.

Dependência digital é doença

Uma doença conhecida desde os primórdios da internet, mas que alcançou o ápice com as muitas plataformas mobile. Uma adicção muitas vezes disfarçada ou mesmo não percebida por alguns. É mais ou menos como o vício em drogas.

De um lado existe aquele viciado roots, que se tranca no quarto e fica o dia inteiro na internet, saindo apenas para satisfazer as mínimas necessidades pessoais (banho é artigo de luxo), e de outro aquele “usuário” (eufemismo, é claro) blasé que esconde debaixo dos lençóis aquela fuçadinha nas notificações logo de manhã e fica carente quando ninguém curte suas postagens nas redes sociais.

São diversas as manifestações deste problema. Mas talvez a raiz de todos os males (dessa vez não é o amor ao dinheiro) seja a ânsia diante da velocidade com que o mundo passa a nossa volta. Muitas pessoas vivem numa manifesta angústia para não perder nada daquilo que considera de valor.

Num mundo onde a informação é mercadoria, quase todos querem estar atualizados com os trends do momento e consideram que o vasto rastro digital nas mais diversas redes sociais é mais importante do que ter um filho, plantar uma árvore ou escrever um livro.

Não é preciso doutorado em comunicação para saber que isso gera estresse. É impossível acompanhar essa onda. Cada dia surge uma nova modinha. Os millennials são extremamente criativos na arte de plantar novidades na internet.

Conflito de gerações

Os young millennials (nascidos entre 1988 e 1995) ou centennials (nascidos depois de 1995) são ainda mais velozes. São impacientes e não se apegam a quase nada por mais do que um click. Quem procura seguir essa vibe vai acabar cansado, mesmo sem fazer nada, somente para se atualizar. E o que não falta são quarentões tentando ser up neste vasto mundo novo, esquecendo-se de que não vão deixar de ser “tiozinhos” ou “tiazinhas”.

Muitas pessoas buscam desconexão digital

Por isto, vem ganhando força, silenciosamente, movimentos do tipo slow para oferecer uma contracultura a essas tendências dominantes nas redes sociais e na internet. Gente que volta a perceber a importância de estar desconectado, analógico, vivo, em carne e osso.

Pessoas que vivem menos em “stories” da vida e mais em contemplação presente de coisas simples do dia a dia. Como alguns que voltaram às agendas e aos blocos de anotações de papel e deixaram a fé cega nos aplicativos digitais. Ou aqueles que conseguem ler um livro até o final regado a fartos goles de café.

Em busca de produtividade

O fato é que a excessiva conexão realmente se configura como uma das muitas distrações que roubam a nossa produtividade na busca daquilo que é a nossa meta. Mesmo que esse alvo seja apenas ficar em casa cuidando das plantas, lendo um livro, namorando ou vendo a sonolência indisfarçável dos felinos domésticos ao nosso redor.

Vale a pena desconectar-se. E perceber que há vida além dos muros da internet. Uma vida cuja referência reside em nossa memória. Com cheiros, sabores e saudades.

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Profissional do jornalismo desde 1996 e entusiasta do empreendedorismo digital. Figura carimbada em redação de jornais, vislumbra novas oportunidades no marketing de conteúdo e no desafio do homeoffice. Freelancer por opção, ele é manauara, nascido no Rio. Cristão pela graça, amigo de cães e gatos.

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