Twitter nas eleições. Todo político/candidato precisa de um perfil ativo na rede

Todo candidato a cargos eletivos precisa ter um perfil ativo no Twitter. Corrigindo: todo político precisa ter um perfil ativo nessa rede social. Mas, em período eleitoral, cresce a importância da rede social dos 280 caracteres. Alguém pode argumentar: mas o twitter é muito limitado, meus eleitores não usam essa rede social, ela não gera muito engajamento como o facebook, eu não sei usar, etc…

Muitos podem ser os argumentos contra o investimento na rede criada em 2006 por Jack Dorsey, Evan Williams e Biz Stone. Mas existem muitos outros argumentos (mais relevantes e comprovados) em favor do bom e (já?!?) velho Twitter. Para se ter ideia do engajamento desta rede em período eleitoral, nas eleições de 2014 os brasileiros fizeram um total de 39,85 milhões de tuítes relativos ao pleito, de acordo com dados divulgados pelo próprio Twitter . O período analisado foi de 6 de julho ao domingo, 26 de outubro, dia da votação do segundo turno.

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Twitter é mais politizado

O Twitter é a rede social mais politizada e, talvez por isso mesmo, com mais envolvimento de formadores de opinião. Não por acaso, é a mais utilizada por jornalistas para construir matérias importantes a partir de tuítes, sem a necessidade de falar pessoalmente com a fonte. Quantas vezes não vimos o seguinte texto em jornais importantes pelo Brasil a fora: Pelo seu perfil no Twitter, o presidente Temer antecipou a divulgação de “tal dado”, etc…

O Twitter é certamente a rede social dos furos de reportagem. Sai primeiro no Twitter, sempre. O Twitter hoje é como já foi a rádio em outros tempos. “Em cima da notícia”, parafraseando um programa local. O imediatismo dos 280 caracteres tem um força impressionante de síntese. Não tem espaço para enrolação. Geralmente, a informação está direta ao ponto. 

Twitter é cronológico

Twitter nas eleições

Outra vantagem importante do Twitter são os algoritmos com particularidades únicas em relação às demais redes sociais. O principal é a valorização da cronologia destacando os últimos acontecimentos. Isso é fundamental para quem trabalha com informação. Notícia é que nem pão e peixe. Só presta quente e fresquinho. Por isso, os jornalistas buscam o Twitter dos políticos. Para saber o que está acontecendo naquela hora, naquele minuto, conforme a informação do tempo publicada no próprio tuíte.

O Twitter também utiliza algoritmo baseado no comportamento prévio do usuário. A partir disso, a rede oferece tuítes bem ranqueados com base ao engajamento de cada usuário e também lista de tuítes incluídos no “Caso você tenha perdido”: seção que traz tuítes mais antigos considerados relevantes, como notícias e tuítes com muito engajamento. Isso acontece, geralmente, quando o usuário entra na (ou volta à) rede social via aplicativo ou desktop.

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Twitter customiza a timeline

O uso de listas para filtrar conteúdos ou perfis buscados é uma vantagem exclusiva da rede do passarinho azul. Por elas, o usuário pode controlar o tipo de conteúdo que pretende acompanhar. Fica fácil monitorar a concorrência ou os concorrentes e até mesmo buscar inspiração para novos conteúdos.

Com as listas,  a timeline do usuário fica totalmente customizada com conteúdos relevantes separados por ele, podendo ser editada a qualquer tempo. É uma opção fantástica para evitar perda de tempo com conteúdos irrelevantes tão comuns nas redes sociais.

Twitter é a origem das hastags

O filtro através das hashtag é uma vantagem fantástica do Twitter. É uma forma importante para acompanhar a abordagem para assuntos semelhantes sem a necessidade de filtrar por usuário, como acontece nas listas. Agora a busca é por palavras-chave, trazendo as citações mais atuais e também as mais relevantes, segundo alguns critérios do algoritmo do Twitter, como o engajamento do tuíte, suas interações, etc.

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Facebook X Twitter nas eleições

No Twitter, o político também fica menos exposto aos haters de plantão que surgem como “gremlins hidratados” nos comentários do Facebook. Por conta dessa cultura faceboquiana, a rede do Zuckerberg está se tornando a campeã do mi-mi-mi e dos patrulheiros ideológicos, sempre vigilantes ao que os outros estão fazendo.

As recentes mudanças no algoritmo do Facebook ampliaram a importância do Twitter como rede social para quem busca controlar o conteúdo que acessa. Atualmente, o alcance orgânico do face é totalmente limitado e restrito aos critérios estabelecidos pela rede do Zuc. O Facebook definitivamente não entrega o que você busca, a não ser que você sapeque um impulsionamento pagando por mais alcance. E mesmo assim, nada garante que o alcance maior vai gerar engajamento.

Além disso, se algum dia você curtiu ou compartilhou um vídeo de gatinho, é capaz que sua timeline receba uma enxurrada de novos vídeos com esse conteúdo. É quase uma praga, como acontece com as propagandas do Google. Quem nunca pesquisou sobre um sapato, por exemplo, no Google e viu a internet lhe bombardear com anúncios de sapatos? Assim acontece com o algoritmo do Face, infelizmente.

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Em síntese – Twitter nas eleições

Existem muitas outras razões para defender o Twitter como importante instrumento de construção de uma identidade digital do político/candidato para fortalecer a sua presença online. Em outros textos pretendo aprofundar essa reflexão sobre marketing político digital.

O importante é entender que vivemos neste ano de 2018 um ano eleitoral atípico sob todos os sentidos. Ninguém sabe ao certo o impacto do desalento eleitoral que atinge o brasileiro comum no rumo dessas eleições, principalmente para os políticos com mandato. Há um burburinho sobre um desejo comum dos eleitores por renovação, se não de ideias, pelo menos de nomes.

A mudança nas regras referentes ao financiamento e aos gastos de campanha também devem gerar efeitos interessantes e ainda desconhecidos no desenrolar do período eleitoral. E neste aspecto, as redes sociais ganham mais força eleição após eleição com a popularização dos smartphones e do acesso à internet via 4G . Por tudo isso, não há como um político/candidato fugir do Twitter.

E você, concorda com a  reflexão?  Me conte sua experiência nos comentários. Críticas e sugestões também são bem-vindas.

Até o próximo post!!!!

 

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Profissional do jornalismo desde 1996 e entusiasta do empreendedorismo digital. Figura carimbada em redação de jornais, vislumbra novas oportunidades no marketing de conteúdo e no desafio do homeoffice. Freelancer por opção, ele é manauara, nascido no Rio. Cristão pela graça, amigo de cães e gatos.

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